Maria da Graça Almeida, nascida em Pindorama - São Paulo. Escritora, poetisa, professora, pedagoga e formada em Educação Artística. Obras Físicas Publicadas: - Espelho - Poesias Sem Mistério - A Graça que o Bicho Tem - Que traça sem graça - Mitos do folclore - A Menina da janela - O Cuco Maluco - O Besouro doente. - Olhos espertos - A substituta -romance
27 de outubro de 2011
O Sapo
maria da graça almeida
O sapo coaxa
na beira do rio.
O sapo com fome,
coitado, não dorme...
O sapo é modesto,
mas quer um tesouro,
tesouro pra sapo
é um grande besouro.
O sapo é guloso,
e sempre quer mais.
Um outro besouro?
Assim é demais!
A gula não é fome,
ter gula é feio,
agora não dorme
de papo tão cheio!
26 de outubro de 2011
Decreto de liberdade e amor
Decreto de liberdade e amor
maria da graça almeida
A livrá-lo do constrangimento,
pesar e da imposição,
meu amor, por ser imenso,
vem deixá-lo à vontade
para que encaminhe seus passos,
de acordo com a própria opção.
Em face do seu silêncio
e da minha solidão,
meu amor, por ser imenso,
aceita as sobras advindas
de um envolvimento
que talvez sobreviva
por força da minha intenção.
Meu amor, por ser imenso,
poderá manter-se recluso
para que não julgue intruso
o tom de minhas notas digitais
e ora o deixa liberto
para que se indigne diante
deste tolo decreto
que de vez expõe
a pieguice dos meus ais.
Meu amor, por ser imenso,
entende o quão difícil
é desempenhar certos papéis,
por isto não finja pressentir cheia
quando baixa estiver sua maré.
Meu amor, por ser imenso,
mudo de lamentos,
vibrará com a autenticidade
de sua fé.
Ainda que para seu conforto,
não mais proclame
este amor imenso, sólido,
insólito, intenso,
a chama viva que me habita
jamais se extinguirá.
Ah! este meu amor
sem bom senso,
desmedido, indefenso...
eternamente me acompanhará.
17 de outubro de 2011
Salgueiro chorão
Os faróis dos trens, ao chegar à cidade, incidiam sobre o salgueiro chorão,
que prateado soluçava, num espetáculo inesquecível de farta inquietação...
Desde o tempo de menina almejava em meu jardim o chorão ou a casuarina
Lindo é seu porte, belas as suas hastes, recheadas de folhas longilíneas , que lânguidas, femininas voltam-se ao chão, porém, a superstição inibiu-me a intenção. Associei-o à tragédia de meus amigos, precocemente expulsos da vida - ainda que o chorão não tivesse tido nenhuma participação, a não ser pelo balouçante espectro, que, no quintal, depois da partida dos moços em questão, altivo, subia, em sinistra exibição.
Implantou-me sua figura à memória e sobre mim cristalizou-se feito símbolo de tal história. Fato que não me permitiu concretizar o antigo desejo, ora adormecido. Em face de tal associação não cedi aos impulsos do plantio,
e, hoje em dia, a redimir-me da extrema covardia, resolvi escrever um inócuo poema cujo espécime uso agora como tema.
Salgueiro chorão
Maria da Graça Almeida
Na ilha da terra sofrida,
no fim do mundo e da vida,
humilde, olhando o chão,
triste gemia o chorão.
- Por quem choras, ó chorão,
este choro sem consolo?
Cá estou, à tua mão,
ofertando-te apoio!
- Este choro é bem antigo,
sufocado, reprimido,
pois de face para o chão,
não vejo da lua o clarão!
- Alegra-te, bom amigo,
não desprezes o que digo,
na água que te rodeia,
tão mais perto refletida,
terás linda a lua cheia!
(Quando o olho então já cego,
às visões da alma me entrego.
Aos reveses desta vida,
soluções alternativas.)
29 de setembro de 2011
Mulheres e árvores
maria da graça almeidaA roupa estava separada. Faltava escolher o cinto.
Optei pelo marrom. Antigo, porém continuava na moda, ela é assim, vai e volta! Ótimo!
Surpresa, ao tentar colocá-lo, notei-o extremamente pequeno. Fiquei a olhá-lo, a revirá-lo, boquiaberta! Será, diabos, que encolheu? Não, pelo que eu saiba, couro não encolhe. Concluí, entristecida, que minha cintura já não mais era a mesma.
Então, um dia eu tivera tal cinturinha? Mal podia crer. Era uma “coisiquinha”, um anel...
Ainda bem que quando a cabeça tem condições de raciocinar,
arranja-se um jeito de minorar as inquietudes...ou de fazê-las maiores, depende...
Para garantir-me a tranquilidade, resolvi refletir: somos como certas árvores! Nascemos feito simples folhinha. Aí, crescendo, temos o tronco delgado e flexível, para suportamos as quedas; as árvores têm-no para sobreviverem ao vento.
Tempo correndo... e vislumbramos o caule a engrossar; observamos nosso corpo a se avolumar. Mulheres e árvores, estruturas e destinos semelhantes.
Olho-me no espelho e ali, de repente me vejo refletida, tal qual árvore adulta. Dera sombra; dera frutos, que já deram os seus também. Tudo certo! Mulheres maduras, árvores maduras não mais envergam, seguem firmes, com galhos fortes, que, para o deleite de muitos e delas próprias, muitas vezes suportam a corda dos mais pesados balanços.
Valeu! Sem tristeza guardei o cinto, que, doravante, envolverá cinturas mais finas, as das meninas, frágeis árvores em desenvolvimento.
Agora, quando passo pelas ruas, facilmente reconheço no arvoredo as espécies ainda adolescentes e as, visivelmente, senhoras.
É a força da renovação, o poder da perpetuação. A vida é assim, para todos, faz parte da nossa natureza. Havemos de nos confomar.
23 de setembro de 2011
Poesia
Poesia
maria da graça almeidaDo suspiro fez-se a lenda
e da lenda, a fantasia,
que nasceu enluarada
e chamou-se Poesia.
De um ponto fez-se o conto,
de um canto, o acalanto,
de onde flui a sintonia
da mais doce melodia.
Da ausência fez-se o pranto
e da dor, a elegia,
onde o verso penitente
da clausura fez morada
e nessa entranha inclemente
soam rimas malfadadas.
28 de agosto de 2011
De repente
De repente
maria da graça almeida
De repente do fruto maduro,
a semente cola nas mãos,
de repente um grão distraído
enterra-se fundo no chão,
de repente a folha com vida
espia um cenário rasante,
de repente um galho mais alto
vislumbra o horizonte adiante,
de repente, o tal de repente
tornou-se de vez permanente
e com natural silhueta
de verde colore o planeta.
maria da graça almeida
De repente do fruto maduro,
a semente cola nas mãos,
de repente um grão distraído
enterra-se fundo no chão,
de repente a folha com vida
espia um cenário rasante,
de repente um galho mais alto
vislumbra o horizonte adiante,
de repente, o tal de repente
tornou-se de vez permanente
e com natural silhueta
de verde colore o planeta.
18 de agosto de 2011
Ao meu amor
Ao meu amor
Maria da Graça AlmeidaSem dúvidas, hoje eu sei
você, sim, é o meu rei,
ontem foi príncipe infante,
hoje é meu herói relevante!
Um homem de olhar menino,
meu tesouro masculino,
da lira, o tom maior,
das minhas metades, a melhor!
O dono do meu amor,
forte luz multicolor,
compõe a paixão no plural,
amaina meus vendavais!
Seu ser calmo e profundo
traduz a essência do mundo,
resgata com temperança,
minha alma criança.
Conquista-me de um certo jeito,
em versos mais que perfeitos.
Com gestos de pura doçura,
espalha magia e ternura!
Conferindo seu meigo rosto,
enquanto amiga e amante,
assumo tão alto posto,
serena e confiante!
Rogo que nossos destinos
caminhem sem desatinos,
trilhando as mesmas pegadas,
juntos e de mãos dadas.
E quando outra vez crianças,
cabeças pálidas, brancas,
que, frente a indícios de escombros,
um do outro tenhamos o ombro!
13 de agosto de 2011
Caneta vermelha
Caneta vermelha
maria da graça almeida
Não transmudem a poesia,
nem violentem os poemas,
o que vale é o que a alma desenha
com os pincéis do alumbramento.
Não dilacerem o dito
no afã do grito alheio.
Deitem o pensamento,
a percepção, os motivos,
de acordo com seus sentimentos.
Não se predisponham
aos óculos, às bengalas.
O dom caminha com boas pernas
e a arte nunca foi cega.
Afastem a caneta vermelha,
o que vale é o rito, a lenda,
o mito da autêntica entrega.
Sigam fiéis a seus versos,
não permitam que terceiros
alterem-lhes os manifestos,
dilatem ou os partam ao meio.
Somente a letra própria
oferece as pistas
de um momento pessoal
e da original intenção
do artista.
maria da graça almeida
Não transmudem a poesia,
nem violentem os poemas,
o que vale é o que a alma desenha
com os pincéis do alumbramento.
Não dilacerem o dito
no afã do grito alheio.
Deitem o pensamento,
a percepção, os motivos,
de acordo com seus sentimentos.
Não se predisponham
aos óculos, às bengalas.
O dom caminha com boas pernas
e a arte nunca foi cega.
Afastem a caneta vermelha,
o que vale é o rito, a lenda,
o mito da autêntica entrega.
Sigam fiéis a seus versos,
não permitam que terceiros
alterem-lhes os manifestos,
dilatem ou os partam ao meio.
Somente a letra própria
oferece as pistas
de um momento pessoal
e da original intenção
do artista.
12 de agosto de 2011
Descansa, poeta
Descansa, poeta
maria da graça almeidaDescansa, poeta,
a vida é uma festa!
a lua apontou!
Repousa com graça,
nos bancos das praças,
ninguém te ameaça,
a alegria raiou.
Sorri das belezas!
A vã incerteza,
o tempo levou.
O verso é grandeza,
A rima é certeza,
o poema, a nobreza
que alma ganhou.
Mas, quando, poeta,
um dia, sentido,
da cor, distraído,
o amor terminar,
levanta sem graça,
nos bancos da praça,
a dor vai chegar.
Aí, chora, poeta,
o amor que passou.
Ao fim dessa festa,
a flor definhou,
a rima é indigesta,
o verso não presta,
a Poesia acabou.
31 de julho de 2011
Reversão
Reversão
Maria da Graça Almeida
Para muitos o envelhecimento é sinônimo de sofrimento, principalmente para as mulheres, mais ainda para as vaidosas.
Ainda que se surpreendam, digo que o incômodo que nos traz a metamorfose imposta pelo tempo é passível de conserto.
Não a metamorfose, propriamente, mas sua aceitação.
Não acreditam? Posso esclarecer.
Se não podemos lutar contra a ancianidade, por que não nos aliarmos a elas?
Parece complicado? Não é!
Parece impossível? Também não.
Então como isso se daria? Facilmente!
Em vez de temê-la, que a esperemos com ansiedade. Que revertamos os valores e os padrões de beleza
e transformaremos os danos da velhice em bens preciosos.
Imaginem que felicidade se assumíssemos a postura de enxergar o declínio da juventude como um fator de exuberância e esplendor.
Imaginem que estimulantes as conversa e as observações fluindo desta maneira:
Ester engordou, está cheia de pneus, uma maravilha, vou pedir-lhe o endereço do médico que a está tratando.
Marina adquiriu as desejadas celulites, foram tantos tratamentos, mas agora conseguiu obtê-las. Anda feliz da vida!
Não vejo a hora de ficar com os peitos iguais da Amelinha. Quase alcançam o umbigo! Uma perfeição.
Ivete já voltou da Europa. Fez plástica por lá, com um ótimo cirurgião. Está com o rosto plissadinho! Maravilhosa, quase não a reconheci.
Magnólia, enfim, conseguiu ter o couro cabeludo à mostra! Anda radiante. Só não conta o segredo do que passou nos cabelos para caírem tão rapidamente.
Ingrid até que enfim pode usar regatas, seus braços exibem uma flacidez invejável.
As orelhas da Maria Alice, magníficas, cresceram tanto que ela nem mais precisa usar brincos. Eram tão acanhadinhas, as coitadas!
Clementina, logo mais, fará plástica no nariz, Disse-me que ele está ainda muito pequeno
e, irritantemente, arrebitado. Quer aumentá-lo e envergá-lo o máximo possível.
Os cotovelos da Melina estão pregueadinhos, não sei como os conseguiu tão graciosos!
E as mãos de Maitê! Nossa, não tem pra ninguém, nunca vi outras feito as delas, já estão
lindamente vincadas, logo mais estarão plenamente amassadas.
Da Idalina, o pescoço e o colo, juro, perfeitos, impecáveis! Não mais mostram aquela pele lisa, esticada, horrorosa.
Que sorte deste pessoal! Envelheceu precocemente. Um dia ainda chegarei lá!
E então? Não é uma ótima saída?
Bem, e isso é tudo, ou quase...
Senhores e senhoras formadores de opinião, abracem esta causa, afinal , um dia também sofrerão com desmandos
do tempo e com a força da mão da gravidade.
Que os valorizemos com fervor.
Obs.: Tomei o cuidado de não colocar nome de ninguém da minha família,
nem das minhas amigas, senão...ai, ai, ai....
Maria da Graça Almeida
Para muitos o envelhecimento é sinônimo de sofrimento, principalmente para as mulheres, mais ainda para as vaidosas.
Ainda que se surpreendam, digo que o incômodo que nos traz a metamorfose imposta pelo tempo é passível de conserto.
Não a metamorfose, propriamente, mas sua aceitação.
Não acreditam? Posso esclarecer.
Se não podemos lutar contra a ancianidade, por que não nos aliarmos a elas?
Parece complicado? Não é!
Parece impossível? Também não.
Então como isso se daria? Facilmente!
Em vez de temê-la, que a esperemos com ansiedade. Que revertamos os valores e os padrões de beleza
e transformaremos os danos da velhice em bens preciosos.
Imaginem que felicidade se assumíssemos a postura de enxergar o declínio da juventude como um fator de exuberância e esplendor.
Imaginem que estimulantes as conversa e as observações fluindo desta maneira:
Ester engordou, está cheia de pneus, uma maravilha, vou pedir-lhe o endereço do médico que a está tratando.
Marina adquiriu as desejadas celulites, foram tantos tratamentos, mas agora conseguiu obtê-las. Anda feliz da vida!
Não vejo a hora de ficar com os peitos iguais da Amelinha. Quase alcançam o umbigo! Uma perfeição.
Ivete já voltou da Europa. Fez plástica por lá, com um ótimo cirurgião. Está com o rosto plissadinho! Maravilhosa, quase não a reconheci.
Magnólia, enfim, conseguiu ter o couro cabeludo à mostra! Anda radiante. Só não conta o segredo do que passou nos cabelos para caírem tão rapidamente.
Ingrid até que enfim pode usar regatas, seus braços exibem uma flacidez invejável.
As orelhas da Maria Alice, magníficas, cresceram tanto que ela nem mais precisa usar brincos. Eram tão acanhadinhas, as coitadas!
Clementina, logo mais, fará plástica no nariz, Disse-me que ele está ainda muito pequeno
e, irritantemente, arrebitado. Quer aumentá-lo e envergá-lo o máximo possível.
Os cotovelos da Melina estão pregueadinhos, não sei como os conseguiu tão graciosos!
E as mãos de Maitê! Nossa, não tem pra ninguém, nunca vi outras feito as delas, já estão
lindamente vincadas, logo mais estarão plenamente amassadas.
Da Idalina, o pescoço e o colo, juro, perfeitos, impecáveis! Não mais mostram aquela pele lisa, esticada, horrorosa.
Que sorte deste pessoal! Envelheceu precocemente. Um dia ainda chegarei lá!
E então? Não é uma ótima saída?
Bem, e isso é tudo, ou quase...
Senhores e senhoras formadores de opinião, abracem esta causa, afinal , um dia também sofrerão com desmandos
do tempo e com a força da mão da gravidade.
Que os valorizemos com fervor.
Obs.: Tomei o cuidado de não colocar nome de ninguém da minha família,
nem das minhas amigas, senão...ai, ai, ai....
26 de julho de 2011
Opostos
maria da graça almeida
Do solicitante,
o tempo é ansioso.
Do solicitado, moroso .
Os tempos diferem,
as metas são desiguais.
Os caminhos, opostos.
Um segue a trilha da aflição,
o outro, o rumo do enfado .
Do solicitante, a ansiedade
usa os andrajos da humilhação,
as vestes rotas da humildade.
Do solicitado, a disponibilidade
exibe a coroa do descaso
e o cetro da superioridade
maria da graça almeida
Do solicitante,
o tempo é ansioso.
Do solicitado, moroso .
Os tempos diferem,
as metas são desiguais.
Os caminhos, opostos.
Um segue a trilha da aflição,
o outro, o rumo do enfado .
Do solicitante, a ansiedade
usa os andrajos da humilhação,
as vestes rotas da humildade.
Do solicitado, a disponibilidade
exibe a coroa do descaso
e o cetro da superioridade
24 de julho de 2011
Quelelê- O jurássico Vós
Quelelê
maria da graça almeida
Ai, Senhora das boas línguas,
rogai por eles, os fuxiqueiros,
não permitais que o mundo inteiro,
de petas, calúnias e injúrias,
transforme-se em vasto celeiro.
Ai, donas das línguas felinas
não deixeis que vossas bocas ferinas
levantem falsos testemunhos,
assinando de próprio punho
a maledicência feminina.
Ai, mulheres da língua limosa,
calai os lábios infecundos.
Que apenas as falas zelosas
traduzam o âmago do homem
e cuidem da alma do mundo.
maria da graça almeida
Ai, Senhora das boas línguas,
rogai por eles, os fuxiqueiros,
não permitais que o mundo inteiro,
de petas, calúnias e injúrias,
transforme-se em vasto celeiro.
Ai, donas das línguas felinas
não deixeis que vossas bocas ferinas
levantem falsos testemunhos,
assinando de próprio punho
a maledicência feminina.
Ai, mulheres da língua limosa,
calai os lábios infecundos.
Que apenas as falas zelosas
traduzam o âmago do homem
e cuidem da alma do mundo.
20 de julho de 2011
João,
eis que me ponho descontraída,
sentada à mesa, com a marca Brahma,
em grandes letras, cotovelos apoiados, displicente,
esquecida da etiqueta, ouvindo sem ser ouvida,
vendo sem ser vista, da timidez distraída,
embriagada da presença de meus ídolos,
quando neles descubro uns mitos tão homens
e uns homens mais mitos.
Quantas vezes desejei, tal qual sorrateira mosca,
pousar, não na sopa do Raul, mas nos mais inusitados
e inacessíveis lugares, onde, invisível ao espetáculo,
ainda que cotidiano, repousasse por prazer, gosto e vontade,
sem proibição,reserva ou punição.
E, hoje, sem metamorfose, nem deslocamento físico,
finalmente, aterrissei! Você conseguiu o milagre!
Lendo Toquinho, conheci mais Vinícius,
ficamos amigos, lendo Vinícius,
descobri mais Toquinho e mais Toquinhos,
somos parceiros, ainda que nem saibam
ou, desconfiem!
Participar de tão milionários mundos interiores,
sem a preocupação de ser inconveniente,
sem o temor de importunar, preservando-lhes a privacidade
e o direito de comumente viver,
traz-me a confortável sensação do respeito pelo espaço alheio
e a peculiar serenidade do bom senso.
E você, heim, João! Como diz bem!
Que saborosa fluência! Quão envolvente é sua palavra!
Em proseando, poeticamente desvenda intensos mistérios,
com os quais ludibriamos o tempo, desprezamos as distâncias
e, vibrantes,arremetemo-nos de corpo,cabeça e sentimento
a momentos e lugares singulares e especiais.
Obrigada, João Pecci, por despi-los de uma forma
surpreendentemente clara e bela e sublime.
Um grande abraço, cheio de admiração!
Jamais emudeça. Continue dizendo...
sempre...
Maria da Graça Almeida
eis que me ponho descontraída,
sentada à mesa, com a marca Brahma,
em grandes letras, cotovelos apoiados, displicente,
esquecida da etiqueta, ouvindo sem ser ouvida,
vendo sem ser vista, da timidez distraída,
embriagada da presença de meus ídolos,
quando neles descubro uns mitos tão homens
e uns homens mais mitos.
Quantas vezes desejei, tal qual sorrateira mosca,
pousar, não na sopa do Raul, mas nos mais inusitados
e inacessíveis lugares, onde, invisível ao espetáculo,
ainda que cotidiano, repousasse por prazer, gosto e vontade,
sem proibição,reserva ou punição.
E, hoje, sem metamorfose, nem deslocamento físico,
finalmente, aterrissei! Você conseguiu o milagre!
Lendo Toquinho, conheci mais Vinícius,
ficamos amigos, lendo Vinícius,
descobri mais Toquinho e mais Toquinhos,
somos parceiros, ainda que nem saibam
ou, desconfiem!
Participar de tão milionários mundos interiores,
sem a preocupação de ser inconveniente,
sem o temor de importunar, preservando-lhes a privacidade
e o direito de comumente viver,
traz-me a confortável sensação do respeito pelo espaço alheio
e a peculiar serenidade do bom senso.
E você, heim, João! Como diz bem!
Que saborosa fluência! Quão envolvente é sua palavra!
Em proseando, poeticamente desvenda intensos mistérios,
com os quais ludibriamos o tempo, desprezamos as distâncias
e, vibrantes,arremetemo-nos de corpo,cabeça e sentimento
a momentos e lugares singulares e especiais.
Obrigada, João Pecci, por despi-los de uma forma
surpreendentemente clara e bela e sublime.
Um grande abraço, cheio de admiração!
Jamais emudeça. Continue dizendo...
sempre...
Maria da Graça Almeida
Atraso
Maria da Graça Almeida
Conheci minha mãe,
então, mãe de cinco filhos!
Conheci-a já cheinha
de corpo e preocupação.
Não sei se fui bem-vinda,
às vezes penso que não!
Já lhe pesava a idade
e uma barriga a mais,
numa idade avançada,
ainda pesa tão mais!
E assim mesmo apareci,
mesmo sem ser convidada,
mesmo sem prévio aviso,
mesmo sem hora marcada!
- Ô mãe, desculpe
minha visita inesperada!
Quando já queria repousar,
desnudando a idade;
quando, calada, retratava
só a doce santidade;
quando a pálida boca
não mais tinha vaidades,
chego eu distraída, atrevida,
toda em bronquite,
e outros itens em ite,
que a obrigaram
na madrugadas sombrias,
nas noites quentes ou frias,
a caminhar pela casa comigo
no colo envelhecido,
colo que mais merecia,
num bom leito, relaxar;
colo com missão cumprida,
de vida, enfim, resolvida
prontinho pra descansar...
- Ô mãe, quantos anos eu lhe devo?
Imagino... mas ainda assim me atrevo,
nestes versos, a indagar!
Ô mãe, de anos e anos já muitos,
de tempos de alto custo,
quase a mato de amor,
depois de matá-la de susto!
Maria da Graça Almeida
Maria da Graça Almeida
Conheci minha mãe,
então, mãe de cinco filhos!
Conheci-a já cheinha
de corpo e preocupação.
Não sei se fui bem-vinda,
às vezes penso que não!
Já lhe pesava a idade
e uma barriga a mais,
numa idade avançada,
ainda pesa tão mais!
E assim mesmo apareci,
mesmo sem ser convidada,
mesmo sem prévio aviso,
mesmo sem hora marcada!
- Ô mãe, desculpe
minha visita inesperada!
Quando já queria repousar,
desnudando a idade;
quando, calada, retratava
só a doce santidade;
quando a pálida boca
não mais tinha vaidades,
chego eu distraída, atrevida,
toda em bronquite,
e outros itens em ite,
que a obrigaram
na madrugadas sombrias,
nas noites quentes ou frias,
a caminhar pela casa comigo
no colo envelhecido,
colo que mais merecia,
num bom leito, relaxar;
colo com missão cumprida,
de vida, enfim, resolvida
prontinho pra descansar...
- Ô mãe, quantos anos eu lhe devo?
Imagino... mas ainda assim me atrevo,
nestes versos, a indagar!
Ô mãe, de anos e anos já muitos,
de tempos de alto custo,
quase a mato de amor,
depois de matá-la de susto!
Maria da Graça Almeida
11 de julho de 2011
7 de julho de 2011
Nada com nada
Nada com nada
maria da graça almeida
Trovas
O amor que cedo arrefece
da rotina é refém,
o nariz que muito cresce
mede mentiras de alguém.
O petiz que empina a pipa
nasceu de cara pintada,
sobre um berço de ripa,
dentro da casa caiada.
A vida de todos nós
tem contornos e debruns,
desde a barra até o cós
a costura é incomum.
A reza é a prece silente,
de quem nasceu para o bem.
A lima com mais sementes,
mais doce o caldo contém.
O vento que venta forte
traz a poeira do além,
se um dia saudar-lhe a morte,
convide-a a morrer também.
A tarde chega brilhante,
ofusca os olhos de quem
ao dia é rico gigante,
à noite, anão sem vintém.
5 de julho de 2011
Do livro Olhos Espertos de maria da graça almeida
Peixe
maria da graça almeida
O peixinho prateado
no aquário sempre vejo!
Bem me fita, o assanhado,
só querendo me dar beijos.
Sua boca um “oi” miúdo
vai dizendo e isso é bom,
só o peixe, neste mundo,
fala “oi”, sem soltar som.
Seleção de poemas infantis
Serafina
maria da graça almeida
Serafina, Serafina...
sempre a vejo na janela!
Será grossa ou será fina,
sua canela, ó menina?
Serafina, Serafina,
eu ainda hei de vê-la
corpo inteiro, na esquina,
sob as luzes das estrelas.
Seu sorriso é agigantado,
os olhinhos são brilhantes,
o nariz, tão empinado,
o pescoço, elegante!
Minha doce, Serafina...
o rostinho já conheço,
e sua perna, ó menina,
será grossa ou será fina?
DO livro Olhos Espertos, poemas para criança
maria da graça almeida
Serafina, Serafina...
sempre a vejo na janela!
Será grossa ou será fina,
sua canela, ó menina?
Serafina, Serafina,
eu ainda hei de vê-la
corpo inteiro, na esquina,
sob as luzes das estrelas.
Seu sorriso é agigantado,
os olhinhos são brilhantes,
o nariz, tão empinado,
o pescoço, elegante!
Minha doce, Serafina...
o rostinho já conheço,
e sua perna, ó menina,
será grossa ou será fina?
DO livro Olhos Espertos, poemas para criança
Homens de uma só mulher
Homens de uma só mulher
maria da graça almeida
As vantagens de ser homem de uma só mulher
são muitas. Poderíamos enumerar várias delas,
porém vivemos o tempo da concisão e da brevidade.
Os homens de uma só mulher não sofrem de
ansiedade, são felizes, serenos, realizados.
Bons maridos e pais, ótimos avôs, amigos sinceros
e colegas amáveis, desconhecem a dor das surpresas
desagradáveis, não atropelam o tempo,
são inteiros, indivisíveis. Andam alinhados com
o conformismo, não o conformismo que tolhe
a evolução e sim o que conforta e proporciona a paz.
Seguros , proporcionam segurança.
São dotados de extrema tolerância, não a tolerância dos tolos,
mas a dos pacificadores. Valorizam a amizade, a cumplicidade,
a solidariedade.
Não são volúveis, nem indecisos, têm a determinação
como característica de personalidade.
Enfim, os homens de uma só mulher são homens
especiais! E raros, posto que estão em extinção.
Em contrapartida... há um custo que lhes onera
a vaidade.
Com dissabor, constatam no envelhecimento
da companheira o enredo do próprio envelhecimento.
Agora, pasmem: os homens de uma só mulher,
são sobretudo homens de mulheres sós.
O cotidiano implacável faz com que não
enxerguem a mulher especial, forte, corajosa
que têm ao lado, ainda que elas passem a vida
proporcionando-lhes a condição e o conforto
de serem homens de uma só mulher.
maria da graça almeida
As vantagens de ser homem de uma só mulher
são muitas. Poderíamos enumerar várias delas,
porém vivemos o tempo da concisão e da brevidade.
Os homens de uma só mulher não sofrem de
ansiedade, são felizes, serenos, realizados.
Bons maridos e pais, ótimos avôs, amigos sinceros
e colegas amáveis, desconhecem a dor das surpresas
desagradáveis, não atropelam o tempo,
são inteiros, indivisíveis. Andam alinhados com
o conformismo, não o conformismo que tolhe
a evolução e sim o que conforta e proporciona a paz.
Seguros , proporcionam segurança.
São dotados de extrema tolerância, não a tolerância dos tolos,
mas a dos pacificadores. Valorizam a amizade, a cumplicidade,
a solidariedade.
Não são volúveis, nem indecisos, têm a determinação
como característica de personalidade.
Enfim, os homens de uma só mulher são homens
especiais! E raros, posto que estão em extinção.
Em contrapartida... há um custo que lhes onera
a vaidade.
Com dissabor, constatam no envelhecimento
da companheira o enredo do próprio envelhecimento.
Agora, pasmem: os homens de uma só mulher,
são sobretudo homens de mulheres sós.
O cotidiano implacável faz com que não
enxerguem a mulher especial, forte, corajosa
que têm ao lado, ainda que elas passem a vida
proporcionando-lhes a condição e o conforto
de serem homens de uma só mulher.
Do lIvro Olhos espertos de maria da graça almeida
Assovio de garoto
maria da graça almeida
Chega leve aos meus ouvidos
um ventinho musical!
Feito o som dos passarinhos,
outro, nunca ouvi igual!
Sopro de vento desperto,
doce brisa natural.
Vento que venta bem perto
não resfria, não faz mal.
Que a tristeza não espante
o ventinho tão maroto
que o vento sempre cante
no biquinho do garoto!
5 de junho de 2011
Amigos
-Trecho do novo livro: A Substituta- romance por Maria Da Graça Almeida,
Amigo é a extensão de nosso corpo, que tem vida própria. Não pensa, nem age como agimos, mas conosco interage como se fosse o terceiro braço de um mesmo corpo.
Não se envergonha de nossas fraquezas; não recrimina nossos deslizes; não nos aponta as vilezas; não nos dita regras; não nos impinge culpa; não nos exige juventude eterna...
Compreende nossas limitações. Entristece-se com nossos pesares; chora as nossas dores; emociona-se com nossa emoção; sorri com nossos sorrisos; sonha os nossos sonhos.
Amigo é aquele que consegue aplaudir as nossas glórias, assim como consegue oferecer-nos o ombro quando dos nossos fracassos.
Quando parte, perdemos um braço! Ficamos menores, mais frágeis, mais tímidos, mais sós...
Amigo é para a vida inteira, ou para apenas um segundo, feito a aparição meteórica, que se perpetuará fortemente impressa em nossas retinas.
maria da graça almeida
Amigo é a extensão de nosso corpo, que tem vida própria. Não pensa, nem age como agimos, mas conosco interage como se fosse o terceiro braço de um mesmo corpo.
Não se envergonha de nossas fraquezas; não recrimina nossos deslizes; não nos aponta as vilezas; não nos dita regras; não nos impinge culpa; não nos exige juventude eterna...
Compreende nossas limitações. Entristece-se com nossos pesares; chora as nossas dores; emociona-se com nossa emoção; sorri com nossos sorrisos; sonha os nossos sonhos.
Amigo é aquele que consegue aplaudir as nossas glórias, assim como consegue oferecer-nos o ombro quando dos nossos fracassos.
Quando parte, perdemos um braço! Ficamos menores, mais frágeis, mais tímidos, mais sós...
Amigo é para a vida inteira, ou para apenas um segundo, feito a aparição meteórica, que se perpetuará fortemente impressa em nossas retinas.
maria da graça almeida
31 de maio de 2011
Formigas
Formigas
maria da graça almeida
Acomodo minha indolência
na cadeira preguiçosa
e o máximo que me deixo fazer
é estirar braços e pernas
na exata medida
de uma manhã desprovida
do acontecer.
Enquanto isso,
flagro as formigas
que, no silêncio
das filas em "ziguezague",
atrevem-se.
O bolo amanteigado de ontem
amanheceu sardento.
Centenas delas desbravam-no.
Roubam-me, as descaradas.
Movimentam-me o olhar
no movimento da marcha em retirada.
O que antes era bloco imóvel e único,
agora caminha multiplicado.
Adocicados fragmentos,
entremeados, passeiam nas
patinhas gulosas
das formigas “tarefeiras”.
maria da graça almeida
Acomodo minha indolência
na cadeira preguiçosa
e o máximo que me deixo fazer
é estirar braços e pernas
na exata medida
de uma manhã desprovida
do acontecer.
Enquanto isso,
flagro as formigas
que, no silêncio
das filas em "ziguezague",
atrevem-se.
O bolo amanteigado de ontem
amanheceu sardento.
Centenas delas desbravam-no.
Roubam-me, as descaradas.
Movimentam-me o olhar
no movimento da marcha em retirada.
O que antes era bloco imóvel e único,
agora caminha multiplicado.
Adocicados fragmentos,
entremeados, passeiam nas
patinhas gulosas
das formigas “tarefeiras”.
29 de maio de 2011
Livre
Livre
maria da graça almeida
Traga sempre na lembrança:
desprezo receitas,fórmulas,
desde minha tenra infância,
repudio regras, normas.
Abomino as cobranças
e tampouco as reconheço.
Ao jugo e à intemperança,
juro, não me submeto.
Quem me desejar cativa,
que abuse da sedução,
o limite que dela deriva
respeito com mansidão.
maria da graça almeida
Traga sempre na lembrança:
desprezo receitas,fórmulas,
desde minha tenra infância,
repudio regras, normas.
Abomino as cobranças
e tampouco as reconheço.
Ao jugo e à intemperança,
juro, não me submeto.
Quem me desejar cativa,
que abuse da sedução,
o limite que dela deriva
respeito com mansidão.
14 de maio de 2011
Celebridade
A juventude sente a falta de ídolos.Ou a juventude anda sem condições de reconhecer um ídolo verdadeiro. Motivo este que faz com que os personagens que despontem na mídia, mesmo sem marcar sua aparição com atos e feitos relevantes, mereçam admiração e a atenção dos jovens-...bem, só deles não, dos ditos experientes também.
Há uma corrida desenfreada em busca dos ”famosos" numa fabricação enganosa de talentos,na canonização de falsos santos, na veneração de pseudo-deuses.
Para ser celebridade hoje basta a carinha estampada na tela por algum tempo; celebridade não é mais o que os dicionários definem: reputação ilustre e estabelecida, notabilidade, renome.
Houve uma total distorção dos valores, não sei se por conta da precariedade de informações da população ou se da real escassez de celebridades vivas.
Perguntem às pessoas quais os seus ídolos. Aposto que ficarão decepcionados com as repostas e começarão a entreter-se com o mesmo questionamento que tenho agora: quais seriam as verdadeiras celebridades atuais? Creio que não conseguiríamos relacioná-las nem apenas nos dedos da mão esquerda.
Que prevaleçam, então, a admiração pelos nossos mortos célebres. Que a eles se voltem as nossas lembranças.
Glória aos imortais! Salve, salve!
Há uma corrida desenfreada em busca dos ”famosos" numa fabricação enganosa de talentos,na canonização de falsos santos, na veneração de pseudo-deuses.
Para ser celebridade hoje basta a carinha estampada na tela por algum tempo; celebridade não é mais o que os dicionários definem: reputação ilustre e estabelecida, notabilidade, renome.
Houve uma total distorção dos valores, não sei se por conta da precariedade de informações da população ou se da real escassez de celebridades vivas.
Perguntem às pessoas quais os seus ídolos. Aposto que ficarão decepcionados com as repostas e começarão a entreter-se com o mesmo questionamento que tenho agora: quais seriam as verdadeiras celebridades atuais? Creio que não conseguiríamos relacioná-las nem apenas nos dedos da mão esquerda.
Que prevaleçam, então, a admiração pelos nossos mortos célebres. Que a eles se voltem as nossas lembranças.
Glória aos imortais! Salve, salve!
13 de maio de 2011
A banda
A banda
maria da graça almeida
No lombo do vento,
nos ombros da chuva,
espero desnuda
a banda passar.
Retomo o assento
no colo do tempo,
aguardo, sem par,
a banda passar.
A vida sem graça,
que cedo espio
da velha vidraça,
não enche vazios.
Nas vilas da vida,
a banda não passa.
No mundo de Deus,
quem passa sou eu.
maria da graça almeida
No lombo do vento,
nos ombros da chuva,
espero desnuda
a banda passar.
Retomo o assento
no colo do tempo,
aguardo, sem par,
a banda passar.
A vida sem graça,
que cedo espio
da velha vidraça,
não enche vazios.
Nas vilas da vida,
a banda não passa.
No mundo de Deus,
quem passa sou eu.
11 de maio de 2011
De mim para mim
De mim para mim
maria da graça almeida
Esta é uma homenagem singular.
É homenagem que eu mesma me propus a prestar-me, posto que a considero justa e devida.
É homenagem do meu eu pessoa, para o meu eu mãe.
Gostaria que outras mães fizessem o mesmo, se, realmente, julgassem -se
merecedoras. Em paz eu ficaria se merecedoras todas o fossem.
Homenageio-me hoje, não movida pela comemoração convencional da data,
homenageio-me, sim, por ter sido uma mãe prudente e cumpridora dos deveres.
A calma habita minha alma...Cuidei, orientei, formei, informei. Acompanhei todas as fases da vida de minhas filhas,das mais amenas às mais conturbadas, com olhos atentos, com ouvidos aguçados.
Não descuidei de seus sentimentos, não me poupei ao envolver-me em seus sonhos, em suas frustrações e expectativas.
Mantive-me vigilante e presente, usei o Não sempre como forma de proteção, de carinho.
Dentro da minhas possibilidades, observei-lhes as necessidades físicas emocionais, respeitei-lhes as diferenças sem compará-las, sem confrontá-las, agindo com a justiça dos meus princípios morais e do meu conceito humanitário.
Não desconsiderei seus desencantos, nem desvalorizei suas conquistas.
Estive pronta para atuar em todas as situações que demandassem energia e pulso firme, assim como nas em que a delicadeza e compreensão fizeram-se prementes.
Por isso, hoje, imodesta, dou-me o direito de parabenizar-me e estendo tal felicitação às mães que, a despeito das dificuldades, dignamente, assumiram seu papel, papel este que só se aprende nos livros da intuição e na escola do amor.
Desejo-me, ainda, que, durante meu tempo de permanência junto às minhas filhas, não cometa nenhum deslize, que lhes comprometa a saúde física, mental e a felicidade, bem como o orgulho que, estou certa, elas sentem pela mãe, que bem desempenhou sua missão.
Desejo, ainda, que elas também, um dia, julguem-se no direito da auto-homenagem, pois assim, mais do que nunca, revalidarei as verdades da mensagem, a que ora me destino...
maria da graça almeida
Esta é uma homenagem singular.
É homenagem que eu mesma me propus a prestar-me, posto que a considero justa e devida.
É homenagem do meu eu pessoa, para o meu eu mãe.
Gostaria que outras mães fizessem o mesmo, se, realmente, julgassem -se
merecedoras. Em paz eu ficaria se merecedoras todas o fossem.
Homenageio-me hoje, não movida pela comemoração convencional da data,
homenageio-me, sim, por ter sido uma mãe prudente e cumpridora dos deveres.
A calma habita minha alma...Cuidei, orientei, formei, informei. Acompanhei todas as fases da vida de minhas filhas,das mais amenas às mais conturbadas, com olhos atentos, com ouvidos aguçados.
Não descuidei de seus sentimentos, não me poupei ao envolver-me em seus sonhos, em suas frustrações e expectativas.
Mantive-me vigilante e presente, usei o Não sempre como forma de proteção, de carinho.
Dentro da minhas possibilidades, observei-lhes as necessidades físicas emocionais, respeitei-lhes as diferenças sem compará-las, sem confrontá-las, agindo com a justiça dos meus princípios morais e do meu conceito humanitário.
Não desconsiderei seus desencantos, nem desvalorizei suas conquistas.
Estive pronta para atuar em todas as situações que demandassem energia e pulso firme, assim como nas em que a delicadeza e compreensão fizeram-se prementes.
Por isso, hoje, imodesta, dou-me o direito de parabenizar-me e estendo tal felicitação às mães que, a despeito das dificuldades, dignamente, assumiram seu papel, papel este que só se aprende nos livros da intuição e na escola do amor.
Desejo-me, ainda, que, durante meu tempo de permanência junto às minhas filhas, não cometa nenhum deslize, que lhes comprometa a saúde física, mental e a felicidade, bem como o orgulho que, estou certa, elas sentem pela mãe, que bem desempenhou sua missão.
Desejo, ainda, que elas também, um dia, julguem-se no direito da auto-homenagem, pois assim, mais do que nunca, revalidarei as verdades da mensagem, a que ora me destino...
11 de abril de 2011
Massacre
Massacre
maria da graça almeida
Com sofreguidão e sem pena,
num dia parido sem paz,
o delírio escreveu vil poema,
que imêmore não será...Jamais!
O coração está cheio de vazio
e o peito de vazio ficou cheio.
A insanidade com insensatos fios
ceifou belos sonhos ao meio.
O cemitério inflou-se de túmulos
ao sepultar jovens alunos,
agora no luto que é múltiplo
o pesar dilatou o seu turno.
A sombra da abjeta solidão
vagueia entre carteiras solitárias,
o desvario com maligna mão
arrancou inocentes da área.
maria da graça almeida
Com sofreguidão e sem pena,
num dia parido sem paz,
o delírio escreveu vil poema,
que imêmore não será...Jamais!
O coração está cheio de vazio
e o peito de vazio ficou cheio.
A insanidade com insensatos fios
ceifou belos sonhos ao meio.
O cemitério inflou-se de túmulos
ao sepultar jovens alunos,
agora no luto que é múltiplo
o pesar dilatou o seu turno.
A sombra da abjeta solidão
vagueia entre carteiras solitárias,
o desvario com maligna mão
arrancou inocentes da área.
8 de fevereiro de 2011
Sem conserto
Sem conserto!
maria da graça almeida
O bom e simples Vicente,
encontrando um amigo recente,
convidou-o à mesa de um bar
e puseram-se a conversar.
Entre goles mais além
e do povo o vaivém,
dos filhos contavam os feitos,
gabando-os lindos, perfeitos.
De repente na calçada,
franzinas, acanhadas,
surgiram três moças na praça,
andando com pressa, sem graça!
Vicente, assim que as notou,
ao amigo observou:
- Bem feia é a moça do canto,
causa-me, até, certo espanto!
- Sinto muito, amigo Vicente,
por sua pouca mesura,
mas aquela moça do canto
é Ana, a minha caçula!
- O amigo não entendeu,
não é a daquele canto,
falo é da moça ao lado,
a que tem o xale franjado.
- A moça quem se refere
e em quem seu veneno desfere,
tão somente é minha mulher
e não uma outra qualquer!
- Creio que mal me expliquei,
não são as das laterais,
refiro-me à que está no meio.
Desta, sim, o rosto é feio!
- A moça que está no meio,
de quem, sem delicadeza,
você diz do rosto feio,
é minha filha, a Tereza!
E pra terminar a história,
Vicente resolve ir embora,
dizendo com muito respeito,
antes do pé para fora:
- Desculpe-me, caro amigo,
por minha rude maneira,
mas nem lhe posso dizer,
que foi mera brincadeira.
Mais honesto é admitir-me
enredado numa teia,
já que a família inteira,
não tem jeito...é muito feia!
maria da graça almeida
O bom e simples Vicente,
encontrando um amigo recente,
convidou-o à mesa de um bar
e puseram-se a conversar.
Entre goles mais além
e do povo o vaivém,
dos filhos contavam os feitos,
gabando-os lindos, perfeitos.
De repente na calçada,
franzinas, acanhadas,
surgiram três moças na praça,
andando com pressa, sem graça!
Vicente, assim que as notou,
ao amigo observou:
- Bem feia é a moça do canto,
causa-me, até, certo espanto!
- Sinto muito, amigo Vicente,
por sua pouca mesura,
mas aquela moça do canto
é Ana, a minha caçula!
- O amigo não entendeu,
não é a daquele canto,
falo é da moça ao lado,
a que tem o xale franjado.
- A moça quem se refere
e em quem seu veneno desfere,
tão somente é minha mulher
e não uma outra qualquer!
- Creio que mal me expliquei,
não são as das laterais,
refiro-me à que está no meio.
Desta, sim, o rosto é feio!
- A moça que está no meio,
de quem, sem delicadeza,
você diz do rosto feio,
é minha filha, a Tereza!
E pra terminar a história,
Vicente resolve ir embora,
dizendo com muito respeito,
antes do pé para fora:
- Desculpe-me, caro amigo,
por minha rude maneira,
mas nem lhe posso dizer,
que foi mera brincadeira.
Mais honesto é admitir-me
enredado numa teia,
já que a família inteira,
não tem jeito...é muito feia!
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